O Festival do Sairé 2026 acontece em Alter do Chão (Santarém, PA) entre 12 e 21 de setembro, com a programação principal concentrada de 17 a 21 de setembro. A festa une rituais religiosos, manifestações tradicionais do povo Borari, a disputa entre os botos Cor-de-Rosa e Tucuxi e shows nacionais (Nattan, Solange Almeida, Psirico e Kamisa 10, entre outros).
Mais do que um evento cultural, o Sairé funciona como motor econômico e vetor de desenvolvimento local e regional.
O peso econômico da festa
Em edições recentes o impacto foi expressivo. Em 2025, o Corpo de Bombeiros registrou quase 50 mil pessoas no Lago dos Botos nos cinco dias oficiais, com estimativa de circulação de até 120 mil visitantes na vila. O movimento aquece hospedagem, alimentação, transporte, comércio de artesanato, gastronomia regional e serviços. Artesãos relatam que a visibilidade gerada durante a festa se transforma em vendas recorrentes ao longo do ano. O Ministério do Turismo investiu R$ 2,6 milhões na edição de 2025 (infraestrutura, promoção e logística), reforçando o papel do evento na economia criativa e no turismo de base comunitária.
Dados de anos anteriores já mostravam movimento de milhões de reais em poucos dias. A festa gera empregos temporários diretos e indiretos (artistas, produtores, costureiras, aderecistas, logística, barraqueiros e prestadores de serviço) e projeta Santarém e Alter do Chão no mapa do turismo cultural brasileiro e internacional.
Desenvolvimento além do evento
O Sairé se insere em uma estratégia mais ampla de desenvolvimento do oeste paraense e da Amazônia. Alter do Chão consolidou-se como destino de turismo sustentável (selo prata em boas práticas), e a prefeitura de Santarém tem investido em capacitação, estruturação do setor e turismo de base comunitária em comunidades ribeirinhas. O evento fortalece a economia criativa, valoriza produtos da sociobiodiversidade e conecta tradição a renda.
No contexto estadual, o Pará aposta na bioeconomia (açaí, castanha, cacau, óleos, serviços ambientais e restauração) como eixo de desenvolvimento de longo prazo, com metas ambiciosas de participação no PIB. O turismo cultural e de natureza é complementar a essa agenda: gera receita sem depender exclusivamente de commodities, valoriza a floresta em pé e as comunidades e ajuda a diversificar a economia local. O reconhecimento federal do Sairé como manifestação cultural brasileira (Lei 14.997/2024) amplia o acesso a recursos e eleva a relevância do evento.
O que esperar de 2026
Com a data definida com antecedência e a programação já anunciada, a expectativa é de nova edição de grande porte. A combinação de rituais ancestrais, disputa dos botos e atrações nacionais deve manter o fluxo de visitantes e o impacto econômico.
O desafio permanente é equilibrar crescimento do fluxo turístico com preservação cultural e ambiental, distribuição de renda para as comunidades e infraestrutura adequada. Quando bem planejado, o Sairé mostra que tradição e desenvolvimento econômico não são opostos: a cultura viva gera emprego, renda, identidade e projeção para a Amazônia.
O Sairé 2026 não é apenas uma festa. É uma demonstração concreta de como patrimônio cultural pode se transformar em ativo econômico e instrumento de desenvolvimento regional.