Simplicidade: o preço que ninguém quer pagar

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Empresas continuam confundindo sofisticação com progresso. Criam camadas de processos, comitês que discutem o que já foi decidido, estratégias para justificar outras estratégias e produtos que acumulam funções até se tornarem inutilizáveis. 

Apresentações de oitenta páginas explicam o que três frases resolveriam. O problema não é a complexidade inerente ao negócio. É a complexidade que a organização inventa para se proteger da clareza.

Isso aparece em empresas maduras que não conseguem matar o que as tornou grandes e em startups que nascem para resolver dores que ninguém sente. Em ambos os casos, o discurso acompanha o hype do momento: inteligência artificial, transformação digital, centralidade no cliente. Na prática, o cliente ainda preenche formulário em papel, entrega documento físico depois do cadastro automático e espera enquanto a conveniência interna da empresa tem prioridade sobre a dele.

Liderança, nesse cenário, deixa de ser a capacidade de inventar soluções elaboradas. Torna-se a disciplina de separar o que precisa ser resolvido daquilo que só aumenta o custo de decidir. Simplicidade não é simplismo. Exige entender a complexidade real antes de eliminar a desnecessária. Quem não faz essa distinção acaba gerenciando o ruído em vez do problema.

Quinze anos atrás o desafio era atravessar a incerteza com um caminho próprio. Hoje o desafio é outro: reconhecer que muitos dos caminhos sofisticados que construímos só existem para justificar a própria existência. As organizações que prosperam são as que conseguem transformar problemas concretos em soluções simples, eficientes e relevantes e que têm a disciplina de cortar o resto.

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