O Pará no IBID 2025: o desafio não é ter potencial é transformar potencial em inovação

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O Índice Brasil de Inovação e Desenvolvimento (IBID) 2025, divulgado pelo INPI, trouxe um retrato importante sobre como os estados brasileiros estão convertendo conhecimento, infraestrutura e ambiente de negócios em desenvolvimento econômico.

No ranking deste ano, o Pará aparece na 22ª posição nacional, com índice de 0,154.

À primeira vista, o número pode parecer apenas mais um indicador entre tantos rankings. Mas ele levanta uma discussão que merece atenção: por que um dos estados mais estratégicos do Brasil ainda ocupa uma posição distante quando falamos em inovação?

Antes de responder, vale entender que inovação não significa apenas startups, aplicativos ou tecnologia digital.

O IBID considera fatores como capital humano, infraestrutura, ambiente institucional, capacidade de gerar conhecimento, negócios e economia criativa. Em outras palavras: mede a capacidade de um território transformar ativos em desenvolvimento.

E é justamente aí que o Pará encontra seu maior desafio — e talvez sua maior oportunidade.

Somos um estado com relevância econômica nacional. Temos força em mineração, agronegócio, logística, recursos naturais e uma posição geográfica única na Amazônia. Mas crescimento econômico, sozinho, não garante um ecossistema inovador.

Inovação acontece quando universidades, empresas, governo, empreendedores e investidores conseguem trabalhar em rede.

O dado do IBID mostra que ainda existe espaço para avançar nessa conexão.

Ao mesmo tempo, o resultado também aponta uma direção estratégica: o Pará não precisa disputar o mesmo jogo de estados industrializados ou replicar modelos do Sul e Sudeste.

Nosso diferencial pode estar justamente naquilo que já temos.

Bioeconomia, tecnologias para cadeias produtivas amazônicas, rastreabilidade, economia criativa, soluções para logística regional, transformação digital aplicada ao território e novos modelos de negócio conectados à floresta podem formar uma agenda própria de inovação para o estado.

Talvez a pergunta mais importante não seja por que o Pará está na 22ª posição.

Talvez a pergunta seja:

Como transformar as vocações do Pará em ativos de inovação capazes de gerar empresas, empregos qualificados e desenvolvimento sustentável?

O ranking do IBID não deveria ser lido como um veredito.

Ele funciona melhor como um ponto de partida.

Porque inovação não é apenas produzir tecnologia. É criar capacidade de transformar oportunidades em impacto.

E o Pará tem uma oportunidade histórica de construir um modelo próprio de desenvolvimento conectado ao território, à Amazônia e ao futuro.

O desafio agora não é provar que temos potencial. É construir as condições para que ele apareça nos próximos rankings.

Leitura obrigatória

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