Inteligência Artificial e Jornalismo: insights da palestra promovida pela MRN e SIMINERAL

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Recentemente participei da palestra "O Impacto da Inteligência Artificial no Jornalismo", ministrada por Ben-Hur Corrêa (Grupo Globo), jornalista, pesquisador do Centro de Estratégia e Inovação da UFRJ e especialista em Inteligência Artificial e transformação digital.

O evento foi promovido pela MRN (Mineração Rio do Norte) e pelo SIMINERAL, reunindo profissionais interessados em compreender como a Inteligência Artificial está transformando a comunicação, o jornalismo e a produção de conteúdo.

Mais do que uma apresentação sobre tecnologia, a palestra trouxe reflexões importantes sobre o futuro da informação e o papel dos profissionais de comunicação em um cenário cada vez mais automatizado.

A Inteligência Artificial está mudando a forma como consumimos notícias

Uma das provocações apresentadas por Ben-Hur foi o fato de que ferramentas como ChatGPT, Gemini e outros assistentes de IA estão alterando significativamente a forma como as pessoas buscam informações.

Antes, ao procurar uma resposta, o usuário acessava um portal de notícias, um blog ou um site especializado. Hoje, muitas dessas respostas são entregues diretamente por sistemas de Inteligência Artificial.

Essa mudança afeta diretamente os modelos tradicionais de audiência e monetização baseados em visualizações de páginas e cliques.

Mas isso significa o fim do jornalismo?

Segundo os insights compartilhados durante a palestra, a resposta é não.

O jornalismo local possui um ativo que a IA não consegue replicar

Talvez o principal aprendizado do encontro tenha sido a valorização do conhecimento produzido localmente.

A Inteligência Artificial consegue organizar, resumir e relacionar informações existentes. Porém, ela não produz conhecimento original sobre a realidade de uma cidade, de uma comunidade ou de uma região específica.

  • A IA não participa das reuniões da Câmara Municipal.
  • Não acompanha os bastidores da política local.
  • Não conversa com comerciantes.
  • Não recebe denúncias da população.
  • Não constrói relacionamentos com fontes.

Em outras palavras, a tecnologia pode processar informações, mas continua dependendo de alguém que vá a campo, investigue e produza conhecimento novo.

Para veículos locais, blogs regionais e jornalistas independentes, essa é uma excelente notícia. O conteúdo produzido sobre a realidade local continua sendo um ativo estratégico e cada vez mais valioso.

O futuro não é contra a IA, mas com a IA

Outro ponto importante discutido foi que a Inteligência Artificial não deve ser encarada como concorrente. Ela pode se tornar uma poderosa aliada na rotina de jornalistas e produtores de conteúdo.

Entre as aplicações destacadas estão:

Escuta social e identificação de pautas

Ferramentas de IA conseguem analisar milhares de comentários em redes sociais e identificar rapidamente tendências, reclamações, dúvidas e assuntos de interesse da população.

Isso permite transformar a audiência em uma fonte permanente de pautas.

Leitura automatizada de documentos públicos

Diários oficiais, contratos, licitações e documentos governamentais podem ser monitorados automaticamente.

Em vez de gastar horas lendo documentos, o profissional pode configurar alertas para identificar apenas informações relevantes.

Análise de grandes volumes de dados

Ferramentas como o NotebookLM permitem analisar centenas de páginas de documentos, relatórios e transcrições em poucos minutos.

Além de encontrar respostas rapidamente, essas plataformas indicam exatamente onde a informação está localizada.

Reaproveitamento inteligente de conteúdo

Uma única reportagem pode ser transformada em diversos formatos:

  • Posts para Instagram;
  • Conteúdo para LinkedIn;
  • Newsletter;
  • Roteiros para vídeos curtos;
  • Resumos para WhatsApp;
  • Episódios de podcast.

A IA ajuda a ampliar o alcance do conteúdo sem comprometer a qualidade da informação.

O diferencial continuará sendo humano

Apesar de todos os avanços tecnológicos, existe algo que permanece insubstituível: a confiança.

Os grandes furos jornalísticos surgem de relacionamentos. Da credibilidade construída ao longo dos anos. Da capacidade de ouvir pessoas, interpretar contextos e conectar informações.

Nenhuma Inteligência Artificial consegue substituir completamente a sensibilidade humana, a experiência profissional e a relação de confiança entre jornalistas e suas fontes.

Por isso, o futuro do jornalismo não será dominado por máquinas.

Será construído por profissionais que souberem combinar inteligência humana com Inteligência Artificial.

O desafio dos próximos 90 dias

Uma das recomendações apresentadas durante a palestra foi simples e prática: começar agora.

A proposta é escolher uma tarefa repetitiva da rotina profissional e testar o uso da IA durante três meses.

  • Primeiro mês: experimentar.
  • Segundo mês: validar resultados.
  • Terceiro mês: incorporar definitivamente o que funciona.

A transformação digital não acontece de uma vez. Ela acontece por meio de pequenos processos de melhoria contínua.

Reflexão final

A palestra de Ben-Hur Corrêa deixou uma mensagem clara: a Inteligência Artificial não representa o fim do jornalismo. Ela representa uma mudança profunda na forma como produzimos, distribuímos e consumimos informação.


Para profissionais de comunicação, jornalistas e produtores de conteúdo local, o desafio não é competir com a tecnologia, mas aprender a utilizá-la de forma estratégica.

Enquanto as máquinas ajudam a executar tarefas repetitivas, cabe aos profissionais fazer aquilo que continua sendo essencial: investigar, interpretar, contextualizar e contar histórias que realmente importam para as pessoas.

E justamente por isso, em um mundo cada vez mais automatizado, o jornalismo local pode se tornar mais relevante do que nunca.

Leitura obrigatória

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