Oracle adota estratégia distinta na corrida da IA: foco em dados corporativos e segurança

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Shasank Chavan, vice-presidente de tecnologias de banco de dados da Oracle | Crédito: Divulgação

Enquanto o mercado global de inteligência artificial (IA) testemunha uma acirrada disputa pelo desenvolvimento de grandes modelos de linguagem (LLMs), a Oracle, gigante da tecnologia, delineia um caminho estratégico diferente. A empresa não busca competir diretamente com players como OpenAI, Anthropic ou Google na criação de modelos próprios. Em vez disso, sua aposta reside na integração desses modelos já existentes a uma infraestrutura robusta de dados corporativos, priorizando governança e segurança nativas.

Essa abordagem visa conectar os avançados modelos de IA a um banco de dados convergente, permitindo que empresas utilizem a inteligência artificial sobre seus dados privados sem a necessidade de expô-los externamente. A estratégia foi detalhada por Shasank Chavan, vice-presidente de tecnologias de banco de dados da Oracle, durante o evento Oracle Data Deep Dive, realizado em São Paulo. Segundo Chavan, o verdadeiro impacto da IA no ambiente corporativo não virá apenas da capacidade dos modelos, mas da forma como eles interagem, interpretam e agem sobre as informações internas das organizações. “O impacto real vem do uso da IA com os dados privados, mantendo-os privados na empresa”, enfatizou o executivo.

A Estratégia Distinta da Oracle no Cenário da Inteligência Artificial Corporativa

A decisão da Oracle de não focar na criação de LLMs próprios reflete uma leitura perspicaz do mercado. Em vez de investir pesadamente em pesquisa e desenvolvimento para modelos que exigem vastos recursos computacionais e datasets gigantescos, a empresa direciona seus esforços para a camada de infraestrutura, onde já possui forte domínio. Essa estratégia posiciona a Oracle como uma facilitadora, permitindo que seus clientes aproveitem o melhor dos modelos de IA disponíveis, ao mesmo tempo em que garantem a integridade e a confidencialidade de suas informações mais sensíveis.

Para muitas empresas, especialmente aquelas em setores regulados ou com grande volume de dados proprietários, a segurança e a governança são preocupações primordiais. A abordagem da Oracle busca mitigar os riscos associados à movimentação de dados para plataformas externas ou à dependência de soluções que não oferecem controle total sobre a privacidade das informações. Isso é particularmente relevante em um cenário onde a legislação de proteção de dados, como a LGPD no Brasil, impõe rigorosas exigências.

Integrando IA ao Coração dos Dados: O Oracle AI Database 23ai

Durante sua apresentação, Shasank Chavan detalhou o Oracle AI Database 23ai, a versão de suporte de longo prazo da plataforma da companhia, que incorpora recursos de inteligência artificial diretamente ao banco de dados. Essa integração inclui funcionalidades como busca vetorial, compatibilidade com frameworks de código aberto e ferramentas para a criação de agentes de IA. A proposta é que a IA não seja uma camada externa, mas uma capacidade intrínseca ao sistema de gerenciamento de dados.

O executivo explicou que, para operar com eficácia em ambientes corporativos, a IA precisa ir além da simples identificação de padrões, devendo compreender significados, contexto e as complexas relações entre as informações. Para isso, a Oracle investe em vetores de IA, estruturas que armazenam representações semânticas de diversos tipos de conteúdo, como documentos, imagens e vídeos. Esses vetores, quando combinados com dados tradicionais em uma busca unificada, permitem que os modelos de linguagem recuperem informações corporativas com um nível de contexto muito mais aprofundado. Além disso, a empresa está integrando frameworks populares como LangChain e ferramentas para a execução de agentes diretamente no banco de dados, simplificando o desenvolvimento e a implantação de aplicações inteligentes.

Superando a Fragmentação: A Visão do Banco de Dados Convergente

Um dos principais desafios para a adoção da IA nas empresas, segundo a Oracle, é a fragmentação da infraestrutura de dados. Chavan argumentou que muitas organizações operam com múltiplos bancos de dados especializados – um para documentos, outro para grafos, outro para vetores e ainda outro para cargas transacionais. Essa complexidade não apenas eleva os custos operacionais, mas também aumenta os riscos de segurança e retarda a inovação. “O caos dos dados retarda a inovação e prejudica a IA”, resumiu o vice-presidente.

A resposta da Oracle a esse problema é o conceito de banco de dados convergente, uma plataforma única capaz de suportar diversos tipos de dados e cargas de trabalho. Essa abordagem elimina a necessidade de mover dados entre sistemas distintos, reduzindo significativamente os problemas de integração entre aplicações analíticas, transacionais e de IA. Como exemplo, Chavan citou a capacidade de acessar os mesmos dados tanto como tabelas SQL quanto como documentos JSON, utilizando APIs compatíveis com MongoDB, o que “resolve um desafio importante que bancos especializados não conseguem resolver”.

Agentes de IA: Desempenho e Segurança Próximos aos Dados

Outro ponto crucial da estratégia da Oracle é o desenvolvimento de agentes de IA executados próximos aos dados, com foco em desempenho, governança e segurança. A empresa criou soluções integradas ao banco de dados que permitem a criação, teste e implantação de agentes em um ambiente controlado e seguro. Além disso, a Oracle está desenvolvendo agentes pré-construídos para automatizar tarefas como gerenciamento de banco de dados, controle de acesso baseado em políticas e diagnóstico de problemas, liberando equipes para atividades mais estratégicas.

Chavan reiterou que a Oracle mantém uma abordagem aberta para IA, permitindo que os clientes escolham os modelos e frameworks que melhor se adequam às suas necessidades, sem ficarem presos a uma única plataforma. O objetivo final é simplificar a infraestrutura necessária para aplicações baseadas em IA e minimizar os riscos de segurança inerentes ao uso de agentes corporativos. “Sem uma base de dados sólida construída para IA, você não conseguirá se mover rápido o suficiente para acompanhar seus concorrentes”, concluiu o executivo, reforçando a importância da infraestrutura de dados como alicerce para a inovação em inteligência artificial.

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Fonte: startups.com.br

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