
O Brasil já é um dos maiores mercados gamers do mundo, movimentando bilhões de reais e expandindo sua influência para além do entretenimento. Para Eric Guimarães, fundador da Yellow House e idealizador da Game Season, o setor deixou de ser apenas sobre jogar e passou a envolver negócios, inovação, comportamento e transformação social.
Criador de experiências que conectam marcas, público e cultura gamer dentro de grandes eventos como o São Paulo Innovation Week, ele defende que o futuro do setor passa por inclusão, profissionalização e novas formas de consumo — e que ainda existe muito espaço para crescer.

Principais trechos da entrevista
TecMundo: Como surgiu a Game Season e qual é a proposta do projeto?
Eric Guimarães: Eu sempre fui muito entusiasta do mundo gamer. Até então, nunca tinha olhado para esse universo como um negócio e também nunca havia me preparado profissionalmente para assumir uma curadoria gamer. As coisas acontecem como têm que acontecer, e a paixão às vezes fala mais alto. A gente acaba abraçando os trabalhos que surgem pelo caminho.
Quando apresentei uma proposta para a diretoria do Rio Innovation Week, o Jerônimo Guilherme, e aqui deixo um agradecimento por acreditarem no projeto desde o começo, virou para mim e disse: “Então, já que você trouxe essa proposta, está nas suas mãos desenvolver um trabalho gamer para o Grupo Innovation Week”.
E essa percepção foi muito clara para mim porque hoje o Brasil é um dos maiores mercados gamers do mundo, tanto no esporte quanto no entretenimento. Estamos falando de uma movimentação bilionária somente no país, com cerca de R$ 12,7 bilhões circulando dentro dessa cadeia gamer.
Quando levei essa proposta ao pessoal do Innovation Week, a minha ideia era acabar com a segregação que existe hoje. Quando você fala com o público gamer, percebe que é uma comunidade muito fechada, extremamente fragmentada e segmentada. Não existia um evento que falasse de forma aberta, além do próprio nicho.
E quando eu digo “de forma aberta”, é justamente entender que marcas não endêmicas também podem, e querem, participar desse mercado. Esse foi o papel da Game Season desde o início: abrir portas, criar uma comunicação direta com essas marcas e, ao mesmo tempo, valorizar o entretenimento que o universo gamer entrega com maestria há tantos anos.
TecMundo: Como tem sido o feedback do público, e a sua percepção pessoal, trabalhando nesta área? Quais destaques você repode trazer do feedback do público das inovações que vocês trouxeram?
Eric Guimarães: A nossa preocupação na Game Season sempre foi atrelar entretenimento e conhecimento. Essa foi uma das principais vertentes do projeto desde a primeira edição. Mais do que realizar campeonatos de Counter-Strike, FIFA, jogos de luta ou RPG, queríamos explicar ao público toda a mecânica e o ecossistema por trás desses jogos.
Por isso, além das competições, criamos espaços de conteúdo durante os intervalos dos campeonatos. Levamos influenciadores, executivos, criadores de conteúdo e profissionais importantes do cenário gamer para compartilhar experiências e mostrar os bastidores da indústria. Já tivemos, por exemplo, a equipe de fisioterapia da FURIA explicando como funciona o trabalho por trás dos atletas profissionais.
Quando você entrega esse tipo de conteúdo, a resposta do público é muito positiva, porque o entretenimento passa a caminhar junto com informação e perspectiva de futuro. Nosso evento recebe muitas crianças acompanhadas pelos pais, e mostrar a dimensão desse universo faz com que muitas famílias mudem a forma como enxergam os games e os esports.
Isso também contribui para a profissionalização dessas pessoas. É importante apresentar caminhos e possibilidades dentro desse mercado. Em um dos eventos, presenciei um pai admirado ao ver o filho subir ao palco, participar de uma competição e ganhar um mouse como premiação. Aquilo mudou completamente a percepção dele.
Ver esse olhar de orgulho e reconhecimento é algo fundamental para mim. Muitas vezes, é nesse momento que a família entende que o game pode representar talento, dedicação e até uma oportunidade real para o futuro.
TecMundo: O Brasil tem uma das comunidades de Counter-Strike mais apaixonadas do mundo, e vocês levaram essa paixão para um porta-aviões da Marinha com um torneio de CS2. Como surgiu essa ideia e como foi tirar esse projeto do papel?
Eric Guimarães: Esse evento só foi possível graças à parceria com a Secretaria de Esporte e Lazer do Estado do Rio de Janeiro, com o Rafael Pisciani e toda a equipe, além do Cadu Albuquerque, presidente da FERG, a Federação de Esportes Eletrônicos do Estado do Rio de Janeiro, que abraçou a ideia desde o início.
Assim que apresentei o projeto, muita gente me chamou de maluco e disse que não daria certo. Mas eu acreditava que precisávamos tentar, porque a Argentina já tinha realizado um campeonato dentro de um metrô em Buenos Aires, e a nossa proposta era elevar ainda mais essa régua.
Um fato curioso é que a Imperial, equipe que venceu o campeonato na Argentina, também acabou vencendo o torneio no navio. No fim, conseguimos convencer todas as partes a acreditarem no projeto e tirar essa ideia do papel.
A proposta surgiu com o Jerônimo, mais uma vez testando os nossos limites, perguntando: ‘E se vocês levassem um evento gamer para um porta-helicópteros em atividade?’. A partir disso, acreditamos no projeto e começamos a desenvolver toda a operação.
Levamos o evento para o NAM Atlântico, o maior porta-helicópteros da América Latina em funcionamento. Foi um desafio enorme, mas também uma experiência impressionante para todo mundo envolvido.
TecMundo: Como que vocês conseguiram trazer essa estrutura para dentro, sendo que um navio, um porta-aviões, ele tem uma, deve ser bem rígida a estrutura?
Eric Guimarães: Foi uma logística de mais ou menos umas duas semanas, duas semanas só para entender como que a gente iria levar os itens da cenografia, produção, camarim, backstage, a nossa área de streaming também, porque a gente ainda faz o streaming ao vivo do campeonato, tanto para o Gaules TV quanto para os canais da Fergie e também para o canal da Universal Week, então são três pontas de streaming, então a gente precisa estar preparado lá dentro.
Então, nós temos toda a nossa área de produção, nossa área de backstage, então assim, só para levar para o navio foram duas semanas e a gente entendeu como funcionaria os horários da marinha, porque a gente está falando de marinha do Brasil, né, então eles têm ali os seus horários, as suas regras, as suas missões diárias, ao qual nós não poderíamos atrapalhar essas missões. Por mais que eles estivessem ali fornecendo o navio para a gente criar o evento, a gente teve que entender toda essa logística, toda essa carga horária de trabalho da Marinha para nos adaptarmos e levar esse suplemento de produção, de logística, cenografia para dentro do navio. Só isso. Demorou duas semanas, a gente preparou toda a carga do navio em três dias e montamos todas as estruturas em dois dias.
TecMundo: Você comentou que prefere ficar nos bastidores. Como é ver seu trabalho acontecendo no meio da comunidade gamer?
Eric Guimarães: Bom, agora falando um pouco de mim. Eu sou uma pessoa que gosta de ver as suas ideias em funcionamento. Eu sempre gostei que o meu trabalho falasse por mim. Então eu já tive projetos aprovados na CBF, eu tive projetos aprovados na L'Oreal, projetos grandes que estão para acontecer agora, ao qual ninguém sabe quem de fato está de frente. Eu sempre coloco a minha agência como pioneira, a minha agência como líder criativa, eu nunca de fato apareço, mas sempre tem ali nas reuniões a cabeça que lidera essas ideias. E vendo o meu trabalho acontecer é muito mais gratificante do que eu apresentar esse trabalho.
E quando você falou que eu estava imerso ali na plateia, é porque realmente é apaixonante para mim ver, por exemplo, uma criança ou então um adulto admirado ali, deslumbrado com uma cenografia, com uma identidade que a gente criou em conjunto, sabe? Isso pra mim é muito gratificante, eu poder estar ali, poder vivenciar essa paixão de todo mundo ao meu redor, é o que faz o meu trabalho valer a pena. E eu quero muito trazer esse tipo de sensação aqui para São Paulo, eu quero muito trazer essa sensação, esse prazer que eu tenho em criar o Rio Innovation Week aqui para São Paulo e com certeza a gente vai conseguir trazer, não tenho dúvida disso.
TecMundo: Você está falando de paixão, mas qual foi o clique que você sentiu, assim como muitos empreendedores, em perceber que games não é só entretenimento, para hoje a Game Season se tornar um hub gigante como é? Como que você teve essa virada de chave?
Eric Guimarães: Na verdade essa percepção vem em camadas, quando a gente entende que marcas não idêmicas estão apostando ali a sua vela de marketing nas ações com o mundo de gamer, com a ação do mundo do esporte, você para para pensar: se as marcas que não são do universo gamer estão entrando de cabeça, principalmente no período de pandemia e pós, você teve esse boom de marcas apostando, entrando no mundo gamer, aonde que esse movimento acontece? Aonde que esse encontro, essa reunião acontece?
E foi daí que eu tive o meu clique para poder transformar a game season realmente em um hub de negócios, porque faltava isso no projeto do Innovation Week lá atrás e com as movimentações que a gente fez, com o entendimento do mercado, as parcerias que a gente foi mandando, a gente conseguiu trazer esse universo dos negócios para dentro da game season.
TecMundo: Durante a pandemia, os games cresceram muito, principalmente os competitivos online. Que comportamento da comunidade mais chamou sua atenção nesse período?
Eric Guimarães: Eu acho que a criação de pertencimento, eu acho que isso foi fundamental no período da pandemia, foram criadas várias comunidades, a comunidade game se uniu como nenhuma outra. A facilidade de você poder jogar com o seu companheiro, seu amigo, mesmo estando em casa, a pandemia trouxe essa questão do pertencimento, essa criação de comunidade, a pessoa está aqui no Rio, poder jogar com um amigo que está em Fortaleza, sem ter necessidade do encontro, por isso que a gente teve esse boom tão grande na época da pandemia, acho que com certeza a criação de comunidade.
TecMundo: Os jogos mobile se tornaram extremamente populares no Brasil por conta da acessibilidade. O que fez você perceber a força dessa comunidade?
Eric Guimarães: A minha visão da comunidade mobile surgiu graças a um amigo chamado Everton, que sempre foi um entusiasta dos jogos mais democráticos possíveis. Ele atua em pautas sociais e me mostrou como os jogos mobile conseguem ser muito mais acessíveis do que os de console ou computador.
Hoje, qualquer celular de entrada consegue rodar jogos como Free Fire e Clash Royale, títulos que movimentam bilhões. Durante a pandemia, quando aconteceu a primeira edição do Rio Innovation Week, esses jogos estavam explodindo. Era a época da skin do Alok, da LOUD dominando o cenário competitivo e do crescimento gigantesco do FPS mobile.
Naquele período, quem mais sofreu foram justamente as comunidades em situação de vulnerabilidade, e o lazer de muitas crianças passou a ser o celular. Foi aí que percebemos como os jogos mobile democratizavam o acesso ao entretenimento e também à competição.
No primeiro Rio Innovation Week, levamos 36 times com quatro jogadores cada para competir no Jockey, muitos deles formados por crianças de comunidades. Ver o olhar delas se divertindo, jogando e competindo foi algo muito marcante para nós.
Desde a primeira edição, sempre tratamos essas exibições como competições de verdade, com premiações em periféricos, celulares e outros equipamentos. A ideia era mostrar para essas crianças que existia um caminho possível dentro desse universo — e essa foi a nossa percepção inicial sobre a força do mobile.
TecMundo: Como que é a sensação, Eric, de perceber que vocês, você e a sua equipe, abrem portas para aquela criança que vem da favela, que vem de uma comunidade, que tem um talento avassalador para se tornar hoje o que é o Nubru, por exemplo?
Eric Guimarães: Olha, eu não sei te explicar, eu não sei explicar porque eu sou pai, e uma das coisas que mais mexe comigo é eu ver uma criança ali sem um tipo de suporte, um tipo de caminho, e o que eu mais quero para o meu filho é que ele siga um caminho, que ele seja bem sucedido, que ele acredite nos sonhos dele, e quando eu vejo uma criança, como você mencionou, numa situação e ela desejando, sonhando, eu acho que o que falta hoje é as pessoas sonharem, sabe? É tão gostoso você sonhar, é tão fácil você sonhar, que a realidade acaba tolindo essas crianças de sonharem. Então eu acredito que quando a gente oferece essa oportunidade e abre essa porta, a gente está implantando um sonho na mentalidade dessa criança, a gente está implantando uma chance de mudança de vida, e isso para mim não tem preço, eu não consigo nem explicar porque é realmente muito gratificante ver a mudança e entender que essa criança tem um outro caminho.
TecMundo: Olhando em retrospecto, quando a gente fala de profissionalização, se o mercado de games e esports ainda está crescendo tanto no Brasil, isso significa que ainda faltam profissionais no setor?
Eric Guimarães: Olha, você pegou pesado porque eu também sou emotivo. Sendo muito sincero com você, Amanda, eu acho que tudo na vida se baseia de dois caminhos, um porquê e um propósito. Quando você tem essas duas perguntas muito bem definidas na sua cabeça e você repete, repete, repete, repete, e o seu caminho vai progredindo, você vai avançando, e esse propósito e esse porquê não muda, eu acredito que você está no caminho certo.
Porque hoje o meu grande porquê, sem sono de dúvida, é a minha família, é por quem eu estou aqui, é por quem eu levanto, é pela minha esposa que está cuidando do meu filho em casa, é pela alegria do meu filho em poder ir na escola e estudar, e o meu propósito é gerar entretenimento com cultura, entretenimento com profissionalismo, gerar uma nova oportunidade para quem assiste e para quem vivencia esse mundo de eventos, não somente games, mas um evento como um todo.
Eu acho que o propósito do evento vai muito mais do que impressionar, ele vem para te educar, ele vem para ensinar, e quando você fala de um evento do tamanho de um SPIW, você está lidando com sonhos, com projetos, tem aquele empreendedor ali que passou a madrugada inteira criando um pitch que na cabeça dele está extraordinário, e ele está com esse desejo de chegar e vencer, então, assim, isso precisa estar muito bem definido na cabeça de quem quer progredir na vida.
Um conselho que eu dou é nunca desista, você vai receber não, você vai quebrar a cara, você vai sofrer mesmo, porque o sucesso ele vem a base de sofrimento, você nunca vai encontrar uma pessoa muito bem sucedida que recebeu tudo de mão beijada, isso não existe, assim, é papo. Eu posso garantir isso que a minha persistência, a minha vontade de cair, levantar, cair e levantar com os porquês e os meus propósitos na cabeça me trouxeram até aqui hoje, eu acho que isso é essencial para mim.
TecMundo: Perfeito, e para aquele jovem que está com vontade de começar a fazer um torneio na rua, no bairro, mas não tem nem o mínimo que é o apoio da família, dos amigos, mas quer um dia se tornar um profissional, um criativo, uma pessoa de inovação igual você?
Eric Guimarães: Para aquele jovem que tem o desejo de criar um evento na sua comunidade, pequeno, uma organização, seja ele qual for, e que esse seja realmente o sonho dele, a vontade dele, eu diria para ele nunca desistir, não abandonar o sonho, porque a resistência, a resiliência é que faz e molda as pessoas de sucesso, então se você hoje tem um sonho, agarre esse sonho.
É claro que o caminho é um caminho muito difícil, é um caminho fechado, a gente sabe que essas pessoas não têm oportunidade, não têm a instrução necessária para poder começar, mas começa do seu jeito, sabe? Faz uma rifa, junta o dinheiro da comunidade, pega ali, faz um corujão, um corujão valendo alguma coisa, sabe? Inicia, inicia de qualquer jeito, essa vontade de iniciar perfeito, nenhum produto inicia perfeito, as pessoas só iniciam.
O primeiro Rio Innovation Week que a gente fez, se eu te contar aqui a quantidade de falhas e erros que a gente cometeu, se eu tivesse desistido eu não estaria aqui agora, sabe? É aprender a lidar com as críticas, aprender a lidar com os problemas, os problemas eles existem para serem resolvidos, então quando você agarra o seu sonho e você entende que esse é o seu caminho, os problemas são pequenos, porque para tudo tem um jeito, para tudo você consegue solucionar, tudo tem solução, o que não tem solução infelizmente a gente deixa na mão de Deus, mas o que está ali tangível a nossa vontade, tangível a nossa produção, a nossa profissional, é possível resolver, então não desista, comece de qualquer jeito, seja pequeno, grande, médio, fazendo corujão, rifa, pegando dinheiro com qualquer pessoa, fazendo uma premiação ali de cem reais, internet do 5G, faz um wi-fi da casa do seu amigo, da sua casa, mas começa.
TecMundo: Agora pegando um pouco da fala geral: "Eric, pelo amor de Deus, games? Você está ganhando dinheiro com games, você faz a sua vida com games, ainda dá dinheiro isso?"
Eric Guimarães: Olha, eu não diria que a gente nem chegou na curva, no ápice da curva do mundo game, porque ainda é um mar a ser explorado por marcas não endêmicas, a gente precisa furar cada vez mais a bolha e sim, é um mercado lucrativo, é um mercado bem lucrativo para quem consegue trabalhar, para quem entende como deve ser feito e para quem, mais importante, para quem deve ser feito, é um mercado que quem nada, nada de braçada.
TecMundo: Como que está o Brasil agora? Você que está imerso nesse cenário, traz pra gente uma perspectiva pra gente entender como que anda atualmente o mercado, a comunidade.
Eric Guimarães: Olha, nós estamos cada vez mais crescentes, a gente tem o maior evento de CS acontecendo no Rio de Janeiro agora, que é o IEM Rio, em 2026, grandes times internacionais, grandes times nacionais vieram para cá pra competir em solo brasileiro, só essa movimentação da Intel mostra o poder do brasileiro em consumir o conteúdo de esportes, com todos os ingressos vendidos. É casa cheia todos os dias, e isso mostra a paixão do brasileiro em consumir esse tipo de conteúdo.
Com certeza hoje o CS é o que mais movimenta em lucros, dizendo como um todo, o CS realmente tem uma audiência muito fiel, é uma geração que veio crescendo com o jogo, foi acompanhando a profissionalização dos campeonatos, foi acompanhando a curva do crescimento desse mercado, e está aí até hoje consumindo o produto do CS. É lógico que você tem, quando você fala nas atualizações, você tem ali os novos talentos, as novas gerações entrando nesse mercado, mas é um mercado que move tanto a novidade quanto a nostalgia.
TecMundo: Se no futebol o Brasil já exportou muito jogadores e ainda exporta referências. Aqaui no Brasil importamos jogadores coreanos, por exemplo, no League of Legends. Se você falou que a gente ainda não chegou na curva crescente que os esportes eletrônicos e os games estão atualmente, significa que faltam profissionais, não é Eric?
Eric Guimarães: Sim, eu acho que falta um pouco de investimento na criação, como se fossem incubadoras de atletas, eu acho que nós temos grandes pro-players escondidos em algum lugar do Brasil, seja ele no LoL, no CS, no Rocket League, FIFA. Falta ali um pouco de atenção nessas incubadoras de profissionais, hoje o investimento que nós temos, por mais que seja um mercado bilionário, é um investimento pequeno nessa incubação de novos atletas. Então, sim, a gente importa muito os atletas e falta essa assistência ao pro-player nacional.
TecMundo: E já do lado criativo e do backstage, que é onde você está mais presente, como que tem funcionado as equipes, como que você enxerga, tem uma carência de profissionais aí também?
Eric Guimarães: Olha, quando a gente fala de backstage, eu acredito que as novas gerações passaram a olhar os trabalhos de backstage com outros olhares, como assim? Hoje o streamer é uma profissão, o creator é uma profissão, só que para o creator e para o streamer acontecer, tem que ter ali uma pessoa no behind the scenes fazendo a transmissão, a edição, os cortes, então essas profissões que ficam atreladas a essas novas profissões que estão aparecendo de acordo com a idade, o comportamento, as novas redes sociais, elas trazem um olhar do jovem para esse mercado.
E quando você fala que nós estamos bem servidos, nós estamos bem servidos, nós temos a CazéTV aí revelando profissionais excelentes, nós temos a GaulesTV trazendo cada vez mais entrevistadores, repórteres altamente engajados com a comunidade e soltos e super didáticos com a comunidade e para isso acontecer tem uma equipe por trás e essa equipe é fundamental, então eu acho que sim, a gente está bem servido, pode melhorar com certeza, como tudo, mas com certeza hoje a gente está equiparando aí ao mercado internacional.
TecMundo: Eu quero um pouquinho de spoiler, para esse ano de 2026 que a gente está chegando na metade do ano, tem coisa vindo por aí, Erick?
Eric Guimarães: Tem e é uma atualização até mesmo para o SPIW, não é voltado para o ano de 2026 como todo, mas para o nosso SPIW. Visando o enriquecimento do conteúdo, o mercado de São Paulo ele exige realmente que você dê o melhor sempre. A gente da Game Season fechou uma parceria com a Creator Economy e nós vamos ter grandes nomes de influenciadores, grandes nomes de creators do mercado game, do mercado de stream, do mercado de social media como um todo, trazendo um conteúdo riquíssimo de como você pode surfar esses novos mares, como você pode entrar de verdade de cabeça nesse mundo de ser um creator, nesse mundo de trazer um hobby como profissão. Eu acho que vai ser fundamental, vai ser muito bacana ter isso com a gente e com certeza eles vão somar para caramba e vão trazer conteúdos maravilhosos.
TecMundo: Qual tendência deveríamos ficar de olho?
Eric Guimarães: Uma tendência que está sendo subestimada é o design de experiências. Hoje temos exemplos dessa nova tecnologia sendo aplicada, você tem os NPCs hoje com uma personalidade adaptativa. Você entende que ele cria dinâmica diferente, ele possui uma vida própria. Isso é uma inserção de mentalidade a esses personagens que antes eles eram subestimados a se tornar um papel central hoje no mundo do gamer.
Então um exemplo disso são esses novos jogos de RPG que estão vindo, aonde o camponês, aonde a pessoa que trabalha ali na lavoura, ou então o próprio artesão, ele possui uma vida. Antigamente quando você entrava num jogo, sempre tinha aquele personagem fixo ali, hoje em dia não.
Cada movimento do seu personagem principal, esse personagem está de um jeito e eu acho isso incrível, porque a IA é aplicada a criar personalidade, a criar uma vida dentro de um jogo. Então, precisamos abrir os olhos para essa tendência, isso precisa ser mais explorado, que com certeza é um mar aberto a ser navegado.
Fonte: tecmundo.com.br