Meta intensifica demissões em meio a aposta em inteligência artificial e gera apreensão

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Meta elevou previsão de investimentos em IA e computação, ao mesmo tempo que demite funcionários – Imagem: Below the Sky/Shutterstock

A Meta, gigante da tecnologia por trás de plataformas como Facebook, Instagram e WhatsApp, prepara-se para uma nova e significativa rodada de demissões que deve impactar aproximadamente 8 mil funcionários, o que representa cerca de 10% de sua força de trabalho. Este movimento ocorre em um momento de intensificação dos investimentos da empresa em inteligência artificial (IA), criando um cenário de crescente apreensão entre seus colaboradores e ex-empregados.

A iminente onda de cortes marca uma mudança notável no discurso adotado pelo CEO Mark Zuckerberg. Após as grandes demissões de 2022 e 2023, que totalizaram cerca de 21 mil funcionários, Zuckerberg havia assumido publicamente a responsabilidade pelo excesso de contratações durante o período da pandemia, declarando ter “errado nisso”. Posteriormente, ele classificou 2023 como o “ano da eficiência” da Meta, justificando os desligamentos como parte de uma reestruturação necessária.

A nova onda de cortes e a estratégia da Meta

Diferente dos pronunciamentos anteriores, a empresa não demonstrou o mesmo tom de cautela ao anunciar os novos cortes. Funcionários atuais e antigos, que preferiram manter o anonimato em depoimentos ao site CNBC, expressaram profundas preocupações com o futuro. Além das demissões diretas, um memorando interno divulgado em abril revelou que a Meta também desistiu de preencher cerca de 6 mil vagas que estavam abertas.

Esses cortes se somam a outras reduções já realizadas este ano, incluindo a eliminação de aproximadamente mil postos na divisão Reality Labs em janeiro, e centenas de trabalhadores e fornecedores terceirizados ligados à moderação de conteúdo em março. Paralelamente a essa redução de pessoal, a companhia tem aumentado significativamente seus gastos com inteligência artificial, elevando sua previsão de despesas de capital para 2026 em até US$ 10 bilhões, podendo alcançar US$ 145 bilhões.

A justificativa oficial da Meta para as demissões é que as reduções “fazem parte do nosso esforço contínuo para administrar a empresa com mais eficiência e nos permitir compensar os outros investimentos que estamos fazendo”, conforme comunicado aos funcionários. Essa declaração reforça a prioridade da empresa em realocar recursos para áreas estratégicas, com a IA no centro.

Tensão interna: monitoramento e incerteza no ambiente de trabalho

Internamente, o clima na Meta é descrito como cada vez mais tenso. Os funcionários manifestam receio de novas rodadas de demissões ainda este ano, com especulações sobre cortes em agosto e no final de 2026. A diretora financeira Susan Li contribuiu para essa incerteza ao afirmar, durante a apresentação de resultados do primeiro trimestre, que os executivos ainda “não sabem ao certo qual será o tamanho ideal da empresa no futuro”.

A situação da Meta não é isolada, refletindo uma tendência mais ampla no setor de tecnologia. Dados do Layoffs.fyi indicam que quase 110 mil trabalhadores já foram demitidos por 137 empresas de tecnologia em 2026, um número que se aproxima dos 125 mil cortes registrados em todo o ano anterior. Essa realidade global intensifica a pressão sobre os colaboradores da Meta.

Além das demissões, outro fator que gerou insatisfação e aumentou a pressão interna foi o lançamento da Model Capability Initiative (MCI). Essa ferramenta, destinada a coletar dados sobre as ações dos funcionários em computadores corporativos, como movimentação do mouse e digitação, foi classificada como “distópica” em mensagens internas vistas pela CNBC. Preocupações com privacidade e o possível vazamento de dados pessoais, além de relatos de lentidão nos computadores, levaram à criação de uma petição online pedindo o encerramento da iniciativa.

Os impactos dessa gestão também são visíveis em pesquisas internas de clima organizacional. Dados da plataforma Blind revelam que a avaliação geral da Meta caiu 25% desde o pico registrado no segundo trimestre de 2024, e a percepção sobre a cultura da empresa recuou 39% no mesmo período. Leo Boussioux, professor assistente de sistemas de informação da Universidade de Washington, avalia que, embora muitas empresas estejam se reestruturando para se adaptar à IA, o uso de ameaças e demissões relacionadas à tecnologia pode funcionar como um mecanismo de pressão interna.

O olhar do mercado e o futuro do trabalho na era da IA

Enquanto os funcionários enfrentam um cenário de incerteza, o mercado financeiro tem reagido positivamente aos movimentos da Meta. Para Umesh Ramakrishnan, diretor de estratégia da empresa de recrutamento Kingsley Gate, a substituição de funções por inteligência artificial é vista como um fator positivo pelos investidores. “É fácil dizer para alguém: ‘Ei, escute, eu cometi um erro ao contratar mais pessoas do que deveria’”, afirmou ele à CNBC. “Agora o mundo entende que os empregos estão sendo substituídos por máquinas, e se você não está fazendo isso, os acionistas ficam insatisfeitos”.

Essa perspectiva do mercado ressalta a complexidade da transição para uma economia cada vez mais impulsionada pela IA, onde a busca por eficiência e inovação tecnológica pode ter um custo humano significativo. A Meta, ao realocar recursos e reestruturar sua força de trabalho, posiciona-se na vanguarda dessa transformação, mas também enfrenta o desafio de gerenciar o impacto social e a moral de seus colaboradores.

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