
A urgência da transformação digital no setor fabril
A adoção de tecnologias avançadas, com destaque para a inteligência artificial (IA) e softwares de otimização, deixou de ser um diferencial estratégico para se tornar um requisito básico de sobrevivência no mercado industrial global. Executivos da Siemens, que acompanham de perto a evolução tecnológica nas Américas, alertam que a velocidade da digitalização superou o tradicional foco no Retorno sobre o Investimento (ROI) como métrica principal de sucesso.
Para empresas que ainda hesitam em integrar essas ferramentas, o risco é a criação de lacunas tecnológicas quase irreversíveis. Segundo Del Costy, presidente da Siemens Digital Industries Software para as Américas, o atraso de apenas 18 meses em relação a um concorrente que já utiliza IA pode tornar impossível a recuperação da competitividade no curto e médio prazo. Em um cenário de retornos exponenciais, a agilidade na implementação passou a ditar o ritmo do setor.
Gêmeos digitais e a nova era da produção
Um dos pilares dessa transformação é a tecnologia de gêmeos digitais, que permite a criação de simulações em tempo real de plantas industriais inteiras. Com o auxílio da IA e reproduções em 3D fotorrealistas, gestores conseguem visualizar e testar o funcionamento de uma fábrica antes mesmo de qualquer alteração física. Essa ferramenta não atua apenas como um motor cinemático, mas como um sistema inteligente que processa dados reais para gerar insights precisos de planejamento.
A tecnologia, que ganhou destaque na edição de 2026 da feira Hannover Messe, onde o Brasil foi país parceiro, permite que empresas de diversos portes otimizem sua capacidade produtiva com alta fidelidade. A parceria entre gigantes como a Siemens e a NVIDIA exemplifica como o metaverso industrial está sendo aplicado para eliminar incertezas e reduzir custos operacionais em ambientes complexos.
Desafios e o cenário da indústria brasileira
A aplicação prática da IA nas fábricas enfrenta barreiras técnicas, sendo a principal delas a estruturação de dados. Del Costy enfatiza que, sem a correta instrumentação do ambiente de produção — como a atualização de medidores de energia e a instalação de sensores IoT em máquinas e linhas de montagem —, a inteligência artificial carece de insumos para operar. A digitalização da fábrica é, portanto, o passo fundamental antes de qualquer ganho de escala com IA.
No Brasil, o cenário apresenta particularidades. Daniel Scuzzarello, country manager da Siemens Digital Industries Software na América do Sul, aponta que a digitalização pode ser a ponte para superar lacunas em maquinários que, em muitos casos, não passam por renovação há décadas. Contudo, o ambiente macroeconômico, marcado por taxas de juros elevadas, impõe cautela aos empresários locais. Com a Selic em patamares elevados, o acesso ao crédito torna-se mais difícil, forçando as empresas a buscarem eficiência máxima para garantir a viabilidade financeira de seus projetos de modernização.
Apesar dos desafios, a percepção é de que a indústria nacional atingiu um nível de maturidade tecnológica comparável ao do Hemisfério Norte. O Brasil, com sua forte presença em setores como mineração, petróleo, energia limpa e manufatura, tem demonstrado uma inclinação crescente para a jornada digital. O compromisso com a inovação, observado em casos de sucesso como os da Natura e da Embraer, reflete uma mudança de mentalidade que coloca o país em uma posição de competitividade global mais sólida.
Para acompanhar as próximas atualizações sobre o impacto da tecnologia no setor produtivo e entender como as inovações moldam o futuro dos negócios, continue acompanhando o portal Daniel Nunes. Nosso compromisso é levar até você uma análise aprofundada, contextualizada e relevante sobre os temas que definem a economia e a sociedade contemporânea.
Fonte: infomoney.com.br