Estúdio brasileiro Ex Ignorantia leva RPG de mesa a games com Crow's Requiem e demo na Steam.

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Estúdio brasileiro Ex Ignorantia leva RPG de mesa a games com Crow's Requiem e demo na Steam.

No cenário efervescente do desenvolvimento de jogos no Brasil, o estúdio Ex Ignorantia se destaca por sua trajetória singular, que transita com maestria entre os universos dos RPGs de mesa e, mais recentemente, dos videogames. Conhecido por criar cenários e sistemas autorais com forte apelo narrativo, o estúdio agora expande sua visão para o ambiente digital com o lançamento da demo de Crow’s Requiem, um projeto ambicioso que já pode ser explorado na plataforma Steam.

A transição do papel para a tela não é apenas um passo natural para a equipe, mas uma reafirmação de seu compromisso com histórias profundas e a construção de mundos imersivos. A Ex Ignorantia, formada por mentes criativas como Gustavo Rolanski, Gustavo Zanetti e André ‘Sid’ Osna, tem cultivado uma abordagem que prioriza a liberdade narrativa e a participação ativa da comunidade, elementos que agora são traduzidos para a experiência interativa de um videogame.

A Essência Narrativa da Ex Ignorantia: Do Horror Íntimo ao Vazio Existencial

A filosofia por trás da Ex Ignorantia é um dos pilares de seu trabalho, tanto nos RPGs de mesa quanto em seu novo empreendimento digital. Segundo André “Sid” Osna, Diretor Criativo e Executivo do estúdio, a inspiração vem de uma fusão de elementos marcantes da cultura pop e literária.

“O Ex Ignorantia nasce da interseção entre o horror íntimo dos sistemas de RPG de World of Darkness e o vazio existencial encontrados na literatura pós-apocalíptica moderna. Nossas criações, tanto nos RPG quanto no pandemicpunk de Crow’s Requiem são sobre explorar o que existe por trás da realidade e o que resta quando ela começa a ruir.”

André “Sid” Osna, Diretor Criativo e Executivo no Ex Ignorantia.

Essa visão se reflete na forma como o estúdio constrói seus universos, buscando criar ecossistemas de histórias que dialogam entre si, permitindo diversas formas de experimentação e imersão. A ideia é ir além das mecânicas isoladas, oferecendo aos jogadores e mestres uma experiência rica e interconectada.

Dos Dados aos Deuses: Os RPGs de Mesa Cognito e Nihilo

Antes de se aventurar nos videogames, a Ex Ignorantia consolidou sua reputação com dois RPGs de mesa que cativaram a comunidade e obtiveram sucesso em campanhas de financiamento coletivo. Esses projetos demonstram a capacidade do estúdio de criar narrativas complexas e mundos envolventes.

Cognito: Anjos e Demônios no Cotidiano

O primeiro RPG de mesa do estúdio, Cognito, surgiu de um financiamento coletivo e propõe uma premissa intrigante: anjos e demônios vivendo entre nós. O jogo explora a dualidade de seres celestiais e infernais que, além de suas guerras eternas, precisam lidar com os problemas mundanos da vida na Terra. Personagens com uma vida semi-normal, pagando contas e arranjando empregos, enquanto conciliam seus deveres divinos e demoníacos, oferecem uma perspectiva única sobre o sobrenatural.

Nihilo: Magia Urbana e Obsessões Transumanas

Outro grande sucesso de financiamento coletivo, Nihilo arrecadou impressionantes 146% de sua meta no Catarse. Este RPG de mesa de fantasia urbana mergulha os jogadores em um mundo similar ao nosso, mas onde a magia é uma força poderosa e presente. Em Nihilo, os participantes assumem o papel de Magus, praticantes de magia centenários que, ao levar suas obsessões a extremos, transcenderam a humanidade, tornando-se seres além da compreensão comum. O jogo explora temas de transumanismo e os perigos da obsessão.

Crow’s Requiem: Um Mergulho no Mundo Pandemicpunk

A experiência acumulada com os RPGs de mesa serviu de base sólida para o desenvolvimento de Crow’s Requiem, o primeiro videogame da Ex Ignorantia. Este projeto ambicioso é um jogo narrativo onde cada escolha do jogador carrega um peso moral, político e emocional significativo, refletindo a bagagem do estúdio em criar histórias com profundidade.

Ambientado em Nova Horizonte, um mundo que o estúdio define como “pandemicpunk”, Crow’s Requiem explora uma realidade distópica onde a pandemia nunca teve fim. O jogador assume o papel de um coletor de corpos, e suas decisões impactam diretamente a narrativa, suas emoções, relações com outros personagens e até mesmo a gestão de recursos. O gênero pandemicpunk, que ganha relevância em um contexto pós-pandêmico global, oferece uma lente única para explorar temas de sobrevivência, ética e a resiliência humana em face de um colapso social contínuo.

Apesar de não ter atingido sua meta inicial em uma campanha de financiamento coletivo, o projeto de Crow’s Requiem segue em desenvolvimento. Essa persistência, conforme Gustavo Zanetti, Produtor e Game Designer da Ex Ignorantia, é um testemunho do vínculo com a comunidade.

“Ser desenvolvedor independente no Brasil é remar contra a maré o tempo todo. Nem sempre as campanhas refletem o tamanho do esforço ou da ideia. Mas o que realmente importa é a comunidade que se forma em volta disso. Crow’s Requiem não acabou com o fim da campanha, ele continua vivo justamente por causa de quem apoiou, compartilhou e acreditou. E é para essas pessoas que a gente vai entregar esse jogo.”

Gustavo Zanetti, Produtor e Game Designer da Ex Ignorantia

Essa declaração reforça o compromisso do estúdio com seus apoiadores e com os universos narrativos que vêm construindo ao longo dos anos, mostrando a resiliência necessária para inovar no mercado brasileiro de jogos.

Explorando a Demo: Primeiras Impressões de Crow’s Requiem

A demo de Crow’s Requiem, disponível gratuitamente na Steam, oferece um vislumbre dos dois primeiros dias de jogo e permite aos jogadores escolher entre três arquétipos de personagens: o mais esperto, o mais físico e o mais bruto. Essa escolha inicial já sugere diferentes abordagens para os desafios que serão encontrados no mundo de Nova Horizonte.

Um dos pontos altos da demo é sua narração falada, disponível tanto em português quanto em inglês. Diferente de muitos jogos narrativos que dependem apenas de blocos de texto, a dublagem facilita imensamente a imersão na história e no universo do jogo, tornando a experiência mais acessível e envolvente para o público brasileiro. A arte visual, claramente inspirada em Graphic Novels, complementa a atmosfera, retratando de forma eficaz o ambiente apocalíptico e degradante. A jogabilidade é focada em escolhas e quebra-cabeças, mantendo a essência narrativa do estúdio. Embora uma explicação mais detalhada sobre o impacto dos recursos pudesse enriquecer a experiência, a ausência não compromete a diversão e o engajamento com a trama.

A Ex Ignorantia prova que o Brasil tem potencial para criar jogos com narrativas ricas e universos complexos, desafiando as expectativas e construindo uma comunidade fiel. Para continuar acompanhando o trabalho de estúdios inovadores e as últimas novidades do mundo dos games e da tecnologia, mantenha-se conectado ao Daniel Nunes. Nosso compromisso é trazer informação relevante, atual e contextualizada, explorando temas que importam para você.

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