Você já parou para pensar por que tantos empreendedores saem de mentorias se sentindo incríveis, mas sem nenhuma mudança real no negócio? Pois é. Agradar é muito fácil. Difícil mesmo é realmente ajudar.
Ao longo da minha trajetória, convivi com dezenas de startups e percebi um padrão preocupante: os mentores mais elogiados raramente são os melhores. Eles se encaixam em dois tipos bem comuns. Veja se você já esbarrou com algum deles.
O mentor que só valida
Esse é o primeiro tipo. Aquele que se empolga com todas as ideias do empreendedor, acha tudo magnífico, gigantesco, com potencial de próximo unicórnio. Nada parece errado. Tudo é brilhante.
E o que o empreendedor recebe disso? Validação.
Validação das próprias ideias. Do caminho percorrido. Da visão de futuro. E validação, nesse caso, é sinônimo de aprovação. E quem não gosta de ser aprovado?
O problema é que esse mentor sai da reunião aplaudindo, o empreendedor sai motivado mas o negócio continua exatamente onde estava. Sem desafios, sem evolução, sem corte de gordura. Apenas um ego bem alimentado.
O mentor que destrói (e acha que ajuda)
Depois temos o segundo tipo: o crítico de plantão. Aquele que senta na sua frente, aponta que tudo está errado e te apresenta um "novo caminho sem erros".
Ele fala com autoridade. Parece que já resolveu exatamente o mesmo problema dez vezes antes. E, confesso, inicialmente isso até impressiona.
Mas aqui vai uma verdade incômoda: bater em uma startup é a coisa mais fácil do mundo.
Ela ainda está começando. Falta tempo, faltam dados, faltam vendas. As brechas são enormes. Qualquer mentor minimamente experiente consegue enxergar essas fragilidades e te escancarar cada uma delas como se fosse um erro terrível.
Só que enxergar o erro não significa saber o caminho correto. Porque, no fundo, raramente alguém sabe. E fingir que sabe é muito mais perigoso do que admitir a incerteza.
Então, o que faz um bom mentor?
Para mim, um bom mentor é aquele que:
Ajuda a enxergar pontos de melhoria — sim, sem medo de apontar o que não vai bem, mas com humildade e sem arrogância.
Abre sua cabeça para novas dúvidas — mais do que dar respostas, ele te provoca. Ele planta perguntas que você ainda não tinha feito.
Te incentiva a ir atrás do cliente — porque no fim do dia, é o cliente quem valida (ou invalida) suas hipóteses, não o mentor.
Não tem respostas prontas, mas sim possibilidades — ele te inspira com caminhos, não com soluções mágicas.
O melhor mentor não é o que aplaude tudo, nem o que destrói tudo. É aquele que te incomoda na medida certa. Que te tira do lugar sem te jogar no chão. Que te faz pensar, questionar, testar e, principalmente, aprender sozinho.
E você, já encontrou um mentor assim?
Se sim, valorize. Se ainda não, que esse texto sirva de alerta: nem sempre o mentor mais elogiado é o que mais vai te ajudar. Às vezes, o melhor presente que alguém pode te dar é uma boa dúvida — e não mais uma certeza vazia.
