China sob mira da Casa Branca por furto massivo de IA

10.set.25/AFP
10.set.25/AFP

A Casa Branca elevou o tom das acusações contra a China, denunciando um suposto roubo em escala industrial de propriedade intelectual ligada a laboratórios americanos de inteligência artificial (IA). A grave alegação, que adiciona mais um capítulo à já tensa relação tecnológica entre as duas potências, foi formalizada em um memorando interno, obtido pelo jornal Financial Times, e surge poucas semanas antes de um aguardado encontro entre o presidente Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping em Pequim.

Segundo Michael Kratsios, diretor do Escritório de Política de Ciência e Tecnologia da Casa Branca, o governo dos Estados Unidos possui informações que indicam um esforço coordenado e massivo por parte de entidades estrangeiras, majoritariamente sediadas na China, para desmantelar sistemas de IA de ponta desenvolvidos nos EUA. Essa prática, descrita como “campanhas deliberadas e em escala industrial”, representa uma ameaça direta à inovação e à segurança nacional americana.

A Mecânica do Roubo: A "Destilação" de Modelos de IA

O cerne da acusação reside na prática conhecida como “destilação”. Este processo, que em sua forma legítima é utilizado para criar modelos de IA menores e mais eficientes a partir de modelos maiores, estaria sendo empregado de maneira ilícita por grupos chineses. A ideia é treinar modelos de IA de menor porte com base na saída e no comportamento de modelos americanos avançados, permitindo que a China desenvolva produtos poderosos a um custo significativamente reduzido e sem o investimento original em pesquisa e desenvolvimento.

A empresa chinesa DeepSeek foi explicitamente mencionada em relatórios anteriores, acusada de utilizar essa técnica. O memorando de Kratsios detalha que as campanhas chinesas estariam empregando “dezenas de milhares de contas proxy para evitar detecção” e “técnicas de jailbreaking para expor informações proprietárias”. Tais métodos demonstram uma sofisticação e uma escala que preocupam as autoridades americanas e as empresas do setor.

Repercussões e Resposta Americana

Diante da gravidade das acusações, a Casa Branca planeja compartilhar informações detalhadas com empresas americanas de IA sobre as “tentativas de atores estrangeiros de conduzir destilação não autorizada em escala industrial”. O objetivo é auxiliar essas empresas a coordenar defesas e estratégias contra tais ataques. Além disso, os EUA explorarão medidas para responsabilizar os agentes estrangeiros envolvidos nessa prática, sinalizando uma postura mais agressiva.

A resposta da China não tardou. A embaixada chinesa em Washington classificou as acusações da Casa Branca como “pura calúnia”. Em declaração, Liu Pengyu, porta-voz da embaixada, reiterou o compromisso da China com o progresso científico e tecnológico por meio da cooperação e competição saudável, além de enfatizar a grande importância que o país atribui à proteção dos direitos de propriedade intelectual. Essa divergência de narrativas sublinha a complexidade e a desconfiança mútua que permeiam a relação bilateral.

O Alerta das Gigantes da Tecnologia e a Segurança Nacional

Empresas americanas de IA de ponta, como Anthropic e OpenAI, têm expressado crescentes preocupações com a destilação realizada por grupos chineses. Elas argumentam que essa prática permite que laboratórios estrangeiros minem a vantagem competitiva dos EUA, especialmente em um cenário onde os controles de exportação de chips americanos já visam restringir o acesso da China a hardware essencial para o desenvolvimento de IA avançada.

Em fevereiro de 2026, a Anthropic acusou diretamente três líderes chinesas em IA – DeepSeek, Moonshot e MiniMax – de ataques de destilação contra seus modelos. Anteriormente, no início de 2025, a OpenAI já havia reportado evidências de que a DeepSeek utilizou saídas de seus modelos GPT para treinar seus próprios sistemas, violando os termos de serviço da plataforma. A preocupação se estende à segurança nacional, pois modelos destilados podem carecer das salvaguardas éticas e de segurança implementadas nos modelos originais, representando riscos potenciais para o desenvolvimento de armas biológicas ou ataques cibernéticos maliciosos.

Cenário Geopolítico e Medidas Legislativas

O especialista em segurança tecnológica Chris McGuire, do Council on Foreign Relations, corrobora as preocupações, afirmando que empresas chinesas de IA dependem da destilação para compensar déficits em poder computacional e replicar ilicitamente as capacidades dos modelos americanos. McGuire sugere medidas drásticas, como proibir o acesso de grupos chineses a modelos americanos, sancionar entidades que conduzem ou facilitam a destilação e apertar os controles de exportação para evitar o contrabando ou acesso remoto a chips de IA dos EUA.

Em um movimento legislativo significativo, o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos EUA aprovou, na quarta-feira, 23 de abril de 2026, uma série de projetos de lei destinados a dificultar que a China alcance os EUA na corrida pela IA. Um desses projetos propõe que empresas que utilizem a destilação sejam incluídas em uma “lista suja” de entidades, o que dificultaria a venda de tecnologia americana para esses grupos. Essas ações refletem a crescente determinação de Washington em proteger sua liderança tecnológica e conter o que considera ser uma ameaça estratégica. Para mais informações sobre a corrida tecnológica global, clique aqui.

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Fonte: redir.folha.com.br

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