Mais de 370 mil pessoas em 12 municípios do Amazonas estão prestes a ter acesso à internet de alta velocidade graças a uma obra que passa pelo leito dos rios literalmente.
O Ministério das Comunicações deu mais um passo concreto rumo à conectividade na Amazônia: iniciou a vistoria técnica da Infovia 02, uma estrutura ousada que vai estender 1,1 mil quilômetros de cabos de fibra óptica submersos nos rios da região. Escolas, postos de saúde, prefeituras, centros de pesquisa e até aldeias indígenas estão na lista de locais que serão atendidos.
Como funciona a vistoria?
O trabalho de inspeção está sendo feito em duas etapas. Na primeira, já em curso, uma equipe técnica percorre de barco o rio Solimões, partindo de Tabatinga e passando por municípios como Santo Antônio do Içá, Atalaia do Norte, Benjamin Constant e Amaturá. Na segunda fase, o percurso continuará de Tonantins até Tefé, cobrindo mais de 670 quilômetros adicionais.
O objetivo da vistoria é verificar se toda a infraestrutura foi instalada corretamente, se os equipamentos nos pontos de acesso estão funcionando e se a rede está pronta para operar. Após a conclusão, um relatório técnico será elaborado para formalizar a entrega da obra e dar início à operação efetiva da rede.
Quem será beneficiado?
Os 12 municípios atendidos pela Infovia 02 são: Atalaia do Norte, Santo Antônio do Içá, Alvarães, Jutaí, São Paulo de Olivença, Uarini, Fonte Boa, Tonantins, Amaturá, Benjamin Constant, Tabatinga e Tefé. A lista inclui também Belém do Solimões, comunidade onde vivem cerca de 12 mil indígenas e ribeirinhos em aproximadamente 30 aldeias. O investimento nesse trecho específico é de R$ 268 milhões.
O projeto maior: Norte Conectado
A Infovia 02 é parte do programa Norte Conectado, uma das maiores iniciativas de infraestrutura de telecomunicações já planejadas para a região. No total, serão 13 mil quilômetros de cabos de fibra óptica espalhados pelos rios da Amazônia, com investimento de R$ 1,3 bilhão. Ao final, mais de 7,5 milhões de pessoas em 70 localidades dos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima terão acesso à internet de qualidade.
Para uma região historicamente isolada por distâncias continentais e pela ausência de estradas, levar internet pelos rios pode ser não apenas uma solução técnica engenhosa — mas um divisor de águas para educação, saúde e desenvolvimento local.
