Do Manguezal ao Tapajós: O que o Boom tecnológico do Recife ensina ao Oeste do Pará



Você sabia que quase 1/4 (25%) de todos os empregos de tecnologia gerados no Brasil em outubro de 2025 foram no Recife?

A notícia, divulgada recentemente pelo Jornal Digital do Recife, não é apenas um dado estatístico impressionante. É a prova definitiva de que a inovação no Brasil não precisa e não deve ficar restrita ao eixo Sul-Sudeste.
Mas por que nós, aqui no Oeste do Pará, devemos olhar atentamente para esse fenômeno pernambucano? A resposta passa por estratégia, vocação regional e construção de futuro.
1. A Descentralização é Real (e Possível)
O Recife provou que uma capital fora do eixo financeiro tradicional pode se tornar uma potência tecnológica. O sucesso do Porto Digital não aconteceu por acaso; foi fruto de uma política pública consistente, iniciada há mais de duas décadas, unindo governo, academia e iniciativa privada.

Para o Oeste do Pará, isso valida a tese de que Santarém e região podem ser o próximo grande polo, desde que haja continuidade nas ações de fomento e união entre as instituições locais.

2. Encontrar a Sua Vocação (Mas não se limitar a ela)
O Recife não tentou copiar o Vale do Silício cegamente. Eles abraçaram a identidade local e a transformaram em ativos tecnológicos.

Aqui, temos uma vantagem competitiva global: a Bioeconomia da Floresta em . O exemplo do Recife nos ensina a valorizar nossos ativos naturais, desenvolvendo tecnologias que resolvam problemas reais da região.
Porém, vale uma ressalva estratégica: embora a Bioeconomia seja a nossa 'joia da coroa', ela não é a nossa única fronteira tecnológica. O Oeste do Pará é um hub complexo que clama por inovação em logística fluvial, soluções urbanas, varejo e educação. Existem inúmeras oportunidades para startups que não necessariamente tocam na floresta, mas que resolvem as dores de quem vive nela.
Mas esse leque de outras oportunidades (logística, serviços, smart cities) é um assunto tão vasto e promissor que merece um artigo exclusivo em breve. Hoje, focaremos na lição de criar um ecossistema robusto.

3. A Importância da Retenção de Talentos
Se o Recife gerou 25% das vagas do país, isso significa que os talentos formados nas universidades de lá estão ficando lá.
Temos em Santarém instituições fortes como a UFOPA, o IFPA, a EETEPA e as Instituições de Ensino Superior Privadas. Juntas, elas produzem ciência, mão de obra qualificada e capital intelectual. O desafio e a lição que fica é criar um mercado local capaz de absorver esses cérebros. Precisamos de mais startups e incentivos para que o desenvolvedor e o pesquisador queiram construir suas carreiras às margens do Tapajós..
O dado de outubro de 2025 sobre o Recife é um norte. Ele mostra que quando se cria um ambiente favorável, os resultados aparecem.

O Oeste do Pará reúne os ingredientes essenciais: território, academia e empreendedores vibrantes. Que o sucesso do Nordeste sirva de combustível para a nossa jornada no Norte e, especialmente, aqui no Tapajós.

Artigos Relacionados

Image