Santarém e o Dia Mundial da Criatividade: o que ficou e o que ainda falta

Hoje é 21 de abril. Dia Mundial da Criatividade e Inovação, segundo a ONU desde 2017. Em boa parte do Brasil, o dia é marcado por palestras, festivais, rodadas de networking e aquela energia produtiva de quem acredita que ideias transformam territórios. Em Santarém, a data passou mais uma vez em silêncio institucional.

Não sempre foi assim.

Na edição de 2024 do World Creativity Day, Santarém esteve no mapa ao lado de Manaus, mas representando o interior do Pará com liderança local e mantenedor comprometido. Naquele ano, o festival descentralizado aconteceu em 55 cidades brasileiras, democratizando acesso ao conhecimento não apenas em capitais, mas também em municípios do interior como Santarém e Dourados. Foi um sinal de que a cidade tem potencial para protagonizar esse tipo de movimento. E foi também, aparentemente, uma janela que se fechou rápido.

A ausência de Santarém na edição 2026 que acontece entre 19 e 23 de abril com 55 cidades habilitadas  não é uma falha do evento. É um diagnóstico da cidade.

O modelo do WCD funciona por liderança local. Para participar, é preciso haver uma pessoa residente na cidade, engajada com o ecossistema de inovação, disposta a passar por um programa de formação em liderança criativa e a viabilizar patrocínio local para cobrir os custos. Ou seja: o festival não vai até a cidade. A cidade precisa ir até o festival. 

E isso exige algo que Santarém ainda luta para consolidar uma comunidade criativa organizada, com continuidade entre as edições.

O problema não é falta de talento. Santarém tem designers, comunicadores, empreendedores, pesquisadores, artistas, professores e ativistas com repertório suficiente para encher uma programação de três dias com conteúdo de qualidade. O problema é o que acontece entre os eventos: a ausência de estrutura permanente que conecte essas pessoas, que acumule capital relacional e que sustente uma liderança criativa ao longo do tempo, sem depender de uma única pessoa ou de um único patrocinador de plantão.

A realização do World Creativity Day traz impactos mensuráveis para a economia local e para o capital social das cidades  incluindo fortalecimento da autoestima coletiva e inclusão no Mapa Global da Criatividade, com visibilidade nacional e internacional. 

Para uma cidade que quer se posicionar como polo regional da Amazônia Ocidental, ficar de fora desse mapa não é neutro. É uma oportunidade perdida de narrativa.

Há também uma dimensão mais ampla que vale nomear: a criatividade, no contexto amazônico, não é luxo. É sobrevivência econômica. A bioeconomia que tanto se fala dos produtos da floresta, do turismo sustentável, das cadeias produtivas locais depende da capacidade das pessoas e das organizações de inovar dentro do território, a partir de recursos e saberes próprios. Criatividade sem estrutura vira improviso. Com estrutura, vira modelo de negócio.

Santarém precisa de mais datas como essa no calendário. Mas, mais do que isso, precisa transformar datas em movimento. O Dia Mundial da Criatividade não é um evento que se faz uma vez e se reporta no relatório anual. É uma aposta anual que constrói, ano após ano, a reputação de uma cidade que leva a sério o que pensa sobre o futuro.

Por hoje, a data passa. O calendário virou. Mas a pergunta permanece: quem vai liderar isso aqui em 2027?

Artigos Relacionados

🔥 EM ALTA

Tem uma ideia ou startup?

Transforme sua ideia em realidade com o Método ISTARTEI!

Conheça o método!
Proteção Legal

Só o registro no INPI protege a sua marca, o que acha?

Garanta a propriedade da sua marca e evite problemas jurídicos. Registro válido por 10 anos em todo território nacional.