Geração Z: homens com diploma enfrentam desemprego igual aos sem formação

Durante décadas, a lógica parecia simples: quem vai para a faculdade consegue emprego melhor. Mas os números mais recentes dos Estados Unidos estão colocando essa crença em xeque e o resultado é surpreendente.

Entre os homens de 22 a 27 anos, a taxa de desemprego é praticamente igual entre os que têm diploma universitário e os que não têm. Isso mesmo. A formação superior, que já foi um diferencial poderoso no mercado de trabalho, parece ter perdido grande parte do seu peso para essa geração.

O que os dados mostram

Segundo análise do Financial Times com base em dados da Pesquisa Populacional Atual dos EUA, cerca de 7% dos homens jovens com diploma universitário estão desempregados quase o mesmo percentual dos que não cursaram o ensino superior. Para contextualizar: em 2010, essa diferença era enorme. Jovens sem diploma tinham taxas de desemprego acima de 15%, enquanto graduados ficavam em torno de 7%.

O cenário mudou radicalmente. Os empregadores estão reduzindo as exigências de formação acadêmica para cargos de entrada, e a vantagem que o diploma proporcionava praticamente evaporou.

Homens e mulheres vivem realidades diferentes

Há, no entanto, uma divisão clara por gênero. Entre as mulheres jovens com ensino superior, a taxa de desemprego cai para cerca de 4% bem abaixo dos 7% masculinos. Uma das explicações é que as mulheres têm maior presença em setores em expansão, como a área da saúde, que deve gerar cerca de 1,9 milhão de vagas por ano na próxima década, segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA.

Outro fator apontado por especialistas em recrutamento é comportamental: mulheres tendem a aceitar oportunidades com mais flexibilidade, mesmo que não sejam o emprego ideal. Homens, por outro lado, costumam aguardar por posições que se encaixem mais precisamente nas suas expectativas de cargo, salário e status o que pode prolongar o período de desemprego.

A virada para as profissões técnicas

Diante desse cenário, muitos jovens estão repensando o caminho da faculdade. Dados do Pew Research Center mostram que o número de estudantes universitários caiu cerca de 1,2 milhão entre 2011 e 2022 e a maior parte dessa queda veio dos homens, com aproximadamente 1 milhão a menos de matriculados.

No lugar da graduação tradicional, as escolas profissionalizantes e técnicas estão em alta. As matrículas em cursos técnicos de dois anos cresceram cerca de 20% desde 2020, adicionando mais de 850 mil alunos, segundo o National Student Clearinghouse Research Center.

Não são só os jovens que perceberam essa tendência. Empreendedores de peso, como Daniel Lubetzky fundador da marca KIND e participante do programa Shark Tank , defendem abertamente que carreiras como carpinteiro ou mecânico oferecem grandes oportunidades e remuneração competitiva, sem que a faculdade seja um pré-requisito.

O que isso significa para você

A questão não é abandonar a educação, mas repensar o que ela representa. O diploma por si só não garante mais emprego. O mercado está valorizando habilidades práticas, adaptabilidade e disposição para começar independentemente do caminho que levou até ali.

Para a Geração Z, a mensagem parece estar sendo absorvida na prática: o futuro do trabalho vai muito além do canudo de formatura.

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