Dados e Inovação: O que o 8º Censo Imobiliário revela sobre o futuro urbano de Santarém

Evento realizado no Centro de Inovação Aces Tapajós aponta crescimento de 67% nos lançamentos e levanta debate sobre regularização fundiária e Cidades Inteligentes.

Não existe inovação sem dados. Para construir a Santarém do futuro mais conectada, eficiente e inteligente precisamos abandonar o "achismo" e abraçar a inteligência estratégica. Foi com esse espírito que o Centro de Inovação Aces Tapajós recebeu, nesta semana, a apresentação do 8º Censo Imobiliário de Santarém, promovido pelo Sinduscon Pará.

Um mercado aquecido e saudável Os números apresentados pela consultoria BR Inteligência Estratégica confirmam a pujança econômica do oeste do Pará. Ao compararmos as projeções e dados recentes (2024-2025), o mercado santareno registrou um aumento de cerca de 67% no número de lançamentos.

Estamos falando de um setor que injetou aproximadamente R$ 115 milhões em volume de vendas na economia local, com uma valorização de preços na casa dos 8%. Bruno Milel, diretor do Sinduscon Pará, classificou o cenário atual como "altamente saudável" e comprador. Para o ecossistema de inovação, isso é um sinal verde: onde há mercado imobiliário forte, há demanda por novas tecnologias, automação residencial e soluções construtivas.

O caminho para uma "Smart City" Um dos pontos altos do debate tocou no conceito de eficiência urbana. O estudo reforçou a importância do adensamento ordenado e da verticalização. Sob a ótica da inovação, uma cidade que se espalha horizontalmente de forma descontrolada é custosa e ineficiente, dificultando a entrega de serviços básicos como transporte, saneamento e internet.

Ao concentrar o crescimento de forma planejada, facilitamos a gestão pública e abrimos caminho para soluções de Smart Cities. O Censo oferece ao poder público a bússola para planejar essas políticas, indicando exatamente para onde a cidade está crescendo.

O desafio da regularização: Uma oportunidade para GovTech Entretanto, inovar também significa enfrentar gargalos antigos. O vereador Alaécio Cardoso trouxe um dado alarmante durante o evento: estima-se que apenas 20% a 25% dos imóveis em Santarém sejam legalizados.

A burocracia e os custos atuais impedem que a maioria das famílias tenha a escritura de seus lares. O vereador sugeriu a criação de um "marco zero" para simplificar esse processo. Aqui reside uma oportunidade gigantesca para a aplicação de GovTech (tecnologia para governo). Precisamos digitalizar processos e desburocratizar a regularização fundiária. Sem isso, grande parte do capital imobiliário da cidade permanece "invisível" e fora da economia formal.

O 8º Censo Imobiliário provou ser uma ferramenta indispensável. Ele oferece a radiografia que o empreendedor precisa para formatar seus produtos e o dado que o gestor público necessita para governar.

O apoio da ACES a este evento reafirma nosso compromisso: conectar o setor produtivo à inteligência de dados, garantindo que o crescimento de Santarém não seja apenas rápido, mas também inteligente e sustentável.

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