
O Brasil é, sem dúvida, o celeiro científico da América Latina. Segundo o “Latam deep tech radar 2025”, concentramos 72,3% das startups de base científica da região. No entanto, um dado acende o sinal de alerta: em 2024, ficamos apenas em terceiro lugar em volume de investimentos privados.
Enquanto nossas 952 empresas mapeadas captaram US$ 216 milhões, as 145 startups da Argentina e as apenas 72 do Chile atraíram volumes significativamente maiores de capital.
O que está travando o potencial brasileiro?
Analisando os dados da Emerge, Cubo Itaú e especialistas do setor, o problema não está na qualidade da nossa ciência, mas em fatores estruturais e estratégicos:
- A "Armadilha" do Mercado Interno: Como o Brasil tem um mercado consumidor vasto, muitas startups nascem focadas em resolver problemas locais. Já as empresas argentinas e chilenas, por terem mercados internos menores, nascem com foco global, o que as torna muito mais atraentes para fundos internacionais.
- Barreiras de Governança e Gestão: Investidores apontam que ainda falta maturidade nas startups brasileiras em termos de governança e transparência contratual. Além disso, a dificuldade em negociar a propriedade intelectual de tecnologias vindas de instituições públicas pode afastar o capital privado.
- O "Custo Brasil" e os Juros/taxas: As altas taxas de juros no país favorecem a financeirização. O capital privado muitas vezes prefere a segurança do mercado financeiro ao risco tecnológico de longo prazo das deep techs.
- Falta de Conexão Corporativa: Em ecossistemas maduros, grandes empresas colaboram e adquirem startups, gerando retorno aos investidores. No Brasil, o investimento privado em P&D ainda é tímido e as aquisições de deep techs são raras.
Startups argentinas e chilenas tendem a oferecer soluções para o mercado global
O Caminho à Frente 💡
Apesar dos desafios, o otimismo persiste. Temos ciência sólida e o apoio público ainda é o grande motor inicial, sendo cinco vezes superior ao capital privado entre as empresas que recebem aporte. Para virar o jogo, o ecossistema brasileiro precisa de:
- Ambição Global desde o primeiro dia.
- Times experientes e conselheiros (advisors) internacionais.
- Melhoria nos padrões de governança e prontidão para o mercado.
O capital de risco está à procura de boas oportunidades, e a massa crítica está sendo formada. O desafio agora é transformar nossa excelência acadêmica em negócios escaláveis e globais.